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29 de Março de 2020

Diário de uma paixão - A arte que nos conduz ao céu obriga-nos a tocar o inferno

O filósofo alemão, Friedrich Nietzsche, tem uma frase oportuna: “a árvore que deseja alcançar os céus deve ter raízes tão profundas a ponto de tocar o inferno”.

Nelson Olivo Capeleti Junior, Advogado
há 3 meses

O filme, História de um casamento, e, à película, Diário de uma paixão, tratam das complexas relações humanas. Os filmes denunciam em nós aquilo que estava escondido, aquilo que não gostaríamos de ver: o que importa são os sentimentos de amor, carinho, respeito, solidariedade, fraternidade, em detrimento das sensações deprimentes que agradam aos sentidos e esvaziam a alma.

Mais fácil seria viver absorto, ignorante à frágil teia das relações humanas. Vivemos das sensações, ansiosos pelos prazeres, muitas vezes desprezíveis, até que uma mensagem, uma frase, um filme abre o sarcófago de nossos sentimentos e denuncia-nos um coração em decomposição.

Li outrora que todos temos a planta do Cristo na terra do coração. Qual a qualidade desta planta se o adubo da terra é desprezível? Os nutrientes desta terra na qual nasce e cresce a planta do Cristo são valorosos, refertos de sentimentos de amor, solidariedade, fraternidade?

Eu passava de carro voltando de um compromisso e observei uma mulher sentada na frente do portão de sua casa. Comentei com a minha esposa que aquela cena era própria de um passado recente, de famílias sem internet e seus produtos de entretenimento. De inopino refleti sobre as desvantagens da tecnologia para as relações humanas. Estamos atordoados com uma vida fantasiosa, com amizades virtuais, com desejos inconfessáveis. Já os vizinhos e familiares nunca estiveram tão longe.

O filósofo alemão, Friedrich Nietzsche, tem uma frase oportuna: “a árvore que deseja alcançar os céus deve ter raízes tão profundas a ponto de tocar o inferno”.

A assertiva é verdadeira.

Quando somos tocados pela verdadeira essência da vida, pela necessidade de tornar melhor a vida daqueles que dividem conosco a percepção da realidade no cenário de vida, e nos encontramos estarrecidos e envergonhados por olvidar tais compromissos, preterindo as coisas do coração em detrimento das coisas mais superficiais, tocamos o inferno.

Contudo, é a partir do inferno que tortura nossa consciência que podemos abandonar as más ações e, quiçá, passar a adotar um comportamento mais digno para nós mesmos e com os outros.

O natal se aproxima. Escrevo este texto no dia 23 de dezembro de 2019. Com o coração inundado pela necessidade de amar as pessoas que me rodeiam, sem exigir-lhes permuta, com a sensação de que não tenho feito o melhor proveito de minha existência. Registro aqui, sensibilizado, o desejo de que você e eu sejamos mais sentimentos e menos sensação. Mais sentimentos de amor, carinho, respeito, solidariedade, fraternidade, em detrimento das sensações deprimentes que agradam aos sentidos e esvaziam a alma.

2 Comentários

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Parabéns pelo texto, amado!
Parabéns pelo sentimento nobre.

O cotejo analógico foi realmente brilhante!

Rogério silva continuar lendo

Estimado, boa tarde.

Obrigado pelas considerações. Fico feliz que o texto tenha tocado em vosso coração.

Um forte abraço. continuar lendo